Postado em 24/08/2017 10:40:00

Pará registra seis naufrágios de embarcações em 2017

O naufrágio do navio Capitão Ribeiro foi o primeiro na região da Capitania dos Portos que compreende o estado do Amapá e parte do Pará. Até agora 10 pessoas morreram e 15 foram resgatadas com vida.

A Marinha do Brasil informou nesta quarta-feira (23) que o naufrágio do navio Capitão Ribeiro foi o sexto ocorrido no Pará em 2017. O acidente ocorreu na área de comando do 4º Distrito Naval, e é o primeiro naufrágio na jurisdição da Capitania dos Portos do Amapá, que compreende o estado do Amapá e a parte oeste do Pará.

O navio Capitão Ribeiro saiu do município de Santarém, oeste do Pará, às 18h de segunda-feira (21) com cerca de 70 pessoas a bordo, segundo informação da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup). A embarcação tinha escala nos municípios de Monte Alegre, Prainha e destino final em Vitória do Xingu, mas acabou naufragando na noite de terça-feira (22) na Ponta Grande do Xingu, em Porto de Moz. Pelo menos 10 pessoas morreram e 15 foram resgatadas com vida do naufrágio, segundo a Segup. Equipes de resgate estão no localrealizando buscas de sobreviventes do acidente desde o início desta quarta-feira.

A Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos (Arcon-Pa) comunicou nesta quarta-feira que a embarcação M/B Capitão Ribeiro, pertencente à empresa Almeida e Ribeiro Navegação, LTDA, não estava legalizada para fazer o transporte de passageiros.

Segundo o órgão, o barco não estava registrado na Aacon-Pa, portanto, a agência considera que “a embarcação estava realizado o transporte clandestino de usuários”, conforme divulgado em nota oficial.

Embarcação naufraga com cerca de 70 pessoas a bordo em Porto de Moz, no Pará

Transporte problemático

 

Segundo o engenheiro naval da Universidade Federal do Pará Pedro Lameira, o transporte em embarcações na Amazônia é problemático do ponto de vista da segurança, pois a maioria dessas embarcações, em madeira, não está preparada para situações de alagamento rápido.

 

“Falta estanqueidade, ou seja, quando ocorre alagamento, o casco é inundado de forma homogênea, diferente das embarcações de casco metálico, que possuem compartimentos de inundação, ou seja, o alagamento ocorre em partes”, explica o engenheiro naval Pedro Lameira.

“Esse problema é antigo na Amazônia e os órgãos competentes precisam fazer alguma coisa para mudar essa realidade”, diz o professor. Segundo ele, existem soluções de engenharia para esse caso e o poder público poderia determinar regras a serem seguidas pelas embarcações.

Além da estabilidade, há a questão do carregamento, explica Pedro Lameira. “O excesso de carregamento, seja de passageiros ou cargas, compromete a estabilidade do barco”, diz. “Muitas vezes, o dono da embarcação navega com superlotação e é inevitável uma embarcação virar”, explica.

Ainda segundo o professor, a área onde a embarcação naufragou possui correntes fortes e, se um barco naufraga muito rápido, é difícil as pessoas se salvarem. “Não tem tempo nem de colocar o colete”, diz.

Fonte: G1/PA
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